A ALIMENTAÇÃO NA DOENÇA DE PARKINSON

 Como a doença de Parkinson pode interferir na alimentação ?

Dependendo da fase da doença, da dose do medicamento ou da etapa do tratamento, podem-se observar alguns sintomas que dificultam uma alimentação adequada, fazendo com que o estado nutricional do parkinsoniano fique prejudicado, necessitando de intervenção de um profissional de nutrição e ajuda de outros profissionais e da família.

Muitas vezes, o indivíduo com a Doença de Parkinson já está inserido no grupo da terceira idade e, dependendo do seu modo de vida, pode apresentar outros problemas relativos à saúde, como a hipertensão, hipercolesterolemia, osteoporose, problemas cardiovasculares, distúrbios genitourinários, entre/outros. Desta forma, devemos considerar as manifestações das diversas doenças quando vamos alimentar-nos. Uma dieta bem orientada pode ajudar-nos a vencer as dificuldades.

Vários fatores podem apresentar-se como risco para falta de apetite, perda de peso e, conseqüentemente, má nutrição. São eles:

 Como obter uma alimentação saudável ?

A alimentação é fator essencial para manutenção ou recuperação da saúde. As atividades diárias de trabalho, diversão, exercício físico e o auto cuidado dependem diretamente do que e de quanto comemos. Tanto a qualidade quanto a quantidade dos alimentos ingeridos devem ser avaliadas, pois a combinação dos dois fatores pode nos trazer benefícios específicos. Sexo, altura, atividade física, estado nutricional, existência ou não de outras doenças e dificuldades físicas ou mentais influenciam direta ou indiretamente nossa dieta.

Uma alimentação variada dever fornecer todos os nutrientes de maneira adequada.

O que são nutrientes ?

Os nutrientes, inclusive a água, são substâncias que estão inseridas nos alimentos e desempenham funções variadas no nosso organismo. São eles: proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas, minerais e fibras. Podemos encontrá-los em alimentos diferentes, por isso devemos variar ao máximo nossa alimentação. O nutriente que encontramos em um podemos não encontrar em outro e vice-versa.

Os nutrientes estão presentes em quantidades diferentes nos alimentos. Nenhum alimento é completo (exceto o leite materno para crianças até 6 meses), ou seja, possui todos os nutrientes em quantidades suficientes para atender às necessidades do organismo.

Por isso precisamos ter uma alimentação variada.

O que devemos comer diariamente para ter uma alimentação adequada ?

As carnes vermelhas (incluindo as vísceras, lingüiças, salsichas e presuntos) e as brancas (peixes e aves) são alimentos ricos em proteína e, portanto, chamados de alimentos construtores. A proteína está envolvida na formação e manutenção de células, tecidos do nosso corpo e órgãos (coração, pulmão, intestino, pele, etc.), hormônios e anticorpos para proteção do nosso organismo contra as doenças. Nas carnes vermelhas, peixes e aves podemos encontrar o ferro, também considerado nutriente construtor, devido à sua função. Ele participa da formação das células vermelhas do sangue, prevenindo a anemia, muito comum naqueles indivíduos que não ingerem quantidade suficiente destes alimentos.

Qual a quantidade de carne que devemos ingerir ?

As carnes devem ser ingeridas na quantidade média de 100 g por dia, o que significa um pedaço médio (ver lista de carnes).

Este grupo é fonte de proteína e é insubstituível quando se trata de cálcio, mineral envolvido na formação e conservação de ossos e dentes. Com o envelhecimento, perdemos massa óssea, o que pode ser agravado por vários fatores, tais como uso de medicamentos (diuréticos, antiácidos e outros), redução da atividade física e imobilidade, menopausa, doenças crônicas, baixo consumo de alimentos que contenham cálcio, fumo excessivo, entre outros.

Principais alimentos

ricos em cálcio

Alimentos ricos em cálcio=300 mg de cálcio

Alimento

Quantidade

Leite

1 copo grande (250 ml)

Iogurte

1 copo grande (250 ml)

Queijo branco

1 fatia média (30 g)

 

Para obtermos uma quantidade adequada deste mineral, devemos ingerir 1200 mg/dia, que correspondem a 3 copos de leite e iogurte e uma fatia de queijo. Para aqueles que já têm osteoporose, são necessários 1500 mg/dia. Veja a tabela na página anterior e verifique quanto de CÁLCIO você está ingerindo por dia.

Hoje temos disponível no mercado o leite enriquecido com cálcio ("Cálcio Plus"), o que significa que se você tomar um copo de leite ( 250 ml ), estará ingerindo o dobro de cálcio existente no leite comum. É uma boa alternativa para aqueles que não têm o hábito de tomar leite, iogurte ou comer queijo.

A melhor escolha de queijo é o tipo minas frescal que tem quantidade menor de gordura que os outros (parmesão, prato, gorgonzola, etc.).

O iogurte pode ser usado em substituição ao leite, na mesma quantidade, e os tipos desnatados são indicados para aqueles que têm colesterol alto ou estão com o peso corporal acima do recomendado.

Os leites e substitutos são também fonte importante de proteína.

DICA: A manteiga e o creme de leite, apesar de serem derivados do leite, não podem ser usados como fornecedores de cálcio e nem de proteína. Eles fornecem gordura.

 A proteína pode interferir na utilização da levodopa pelo organismo?

Sim. A proteína que encontramos nas carnes vermelhas ou brancas nos laticínios (leite, iogurte e queijos) e ovos pode interferir na utilização da levodopa. Esta interferência depende da resposta de cada organismo ao tratamento com a levodopa. O que acontece é que, tanto no intestino quanto no cérebro, a proteína e a levodopa são absorvidas no mesmo local e ao mesmo tempo. Só podemos, porém, absorver uma de cada vez. Se estas duas estão juntas, uma prejudica a outra. Elas entram em competição e quem sai perdendo é geralmente a levodopa, que acaba não produzindo o efeito terapêutico desejado. Isto ocorre com maior freqüência naqueles indivíduos que têm grandes flutuações no tratamento.

Alguns estudos têm mostrado os benefícios de uma dieta com menor quantidade de proteína e o consumo da mesma em horários mais distanciados do uso da levodopa. O que acontece é que, de um modo geral, as pessoas costumam consumir excesso de proteína (muita carne, presuntos, hambúrgueres e outras preparações).

 Qual a quantidade de alimentos protéicos que devemos ingerir?

Temos as seguintes alternativas para melhorar esta situação:

  1. Ingerir os alimentos protéicos em horário distante do uso da levodopa (½ a 1 hora antes da refeição na qual costumamos ingerir carne branca ou vermelha, leite, queijo, iogurte e ovos).
  2. Deixar para ingerir as carnes ou ovos no jantar (horário em que geralmente não temos tantos compromissos sociais e costumamos ficar em casa, para dormir logo depois).

Quantidades de carnes que devem ser ingeridas por dia (escolha um tipo)

Obs.: Para evitar enjôos quando fizer uso da medicação, procure comer junto alimentos como frutas, sucos de frutas ou bolachas Cream Cracker.

Frutas, Verduras e Legumes

Este grupo de alimentos é importante como os outros e é muito variado. Frutas, verduras e legumes são ricos em vitaminas, minerais e fibras, que podem ajudar muito no funcionamento intestinal. As frutas, as verduras e os legumes são considerados alimentos reguladores, (já que regulam o funcionamento do organismo). Além disso, algumas funções do organismo podem ser controladas: há melhoria da resistência às infecções; formação e proteção de pele, olhos, cabelos, unhas e dentes; manutenção dos processos digestivos e de absorção de nutrientes; participação em várias reações de formação e renovação de células e funcionamento de órgãos.

Não há como dizer que não gostamos de algum representante deste grupo. Maça, banana. Laranja, morango, melancia, pêssego, tomate, alface, couve, cenoura, beterraba, abobrinha e todas as outras frutas, verduras e legumes podem ser consumidos à vontade.

Vitaminas

A Vitamina A é importante para a visão e a formação da pelo, dos cabelos e das unhas. A sua carência causa lesões na córnea, cegueira noturna e ressecamento da pele.

Onde encontramos a Vitamina A?

Podemos encontrá-la nas frutas e vegetais alaranjados e verde-escuros (cenoura, abóbora, batata-doce, mamão, manga, caqui, brócolis, couve, espinafre, acelga, almeirão e outros) Encontramos a vitamina A também nos alimentos de origem animal (leite integral, queijos, creme de leite, manteiga, gema de ovo e fígado).

A Vitamina C está envolvida em processo de cicatrização e resistência às infecções, aumento da absorção do ferro do feijão e outras leguminosas (grão de bico, soja lentilha).

A vitamina C pode ajudar no tratamento ou na cura da doença de Parkinson?

Alguns estudos tentam mostrar a função antioxidante da vitamina C, inclusive para diminuição da progressão da doença de Parkinson. Porém, a eficácia deste tratamento ainda não foi comprovada.

Quais alimentos contêm a vitamina C e que quantidade devemos ingerir diariamente?

A vitamina C pode ser encontrada nas frutas cítricas (laranja, mexerica, limão, abacaxi e outras), morango, kiwi, goiaba, tomate, acerola. Se for ingerido pelo menos um destes alimentos por dia, a vitamina C já estará garantida. A quantidade de que necessitamos diariamente é de 60 mg. Os fumantes necessitam de 100 mg.

Alimentos ricos em VITAMINA C

Alimento

Quantidade

Vitamina C

Acerola

3 unid (9 g)

150,97 mg

Laranja

1 unid média (180 g)

95,76 mg

Mexerica

1 unid média (148 g)

45,58 mg

Tomate

2 unid média (218 g)

38,15 mg

Morango

5 unid média (60 g)

34,2 mg

Fonte: PHILLIPI, S.T. SZARFARC, S. LATERZA, A.R. Virtual Nutri (software) versão 1.0, for windows. Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública/USP. São Paulo, 1996

 E os suplementos de vitamina C?

Os suplementos de vitamina C têm doses que variam de 500 a 2000 mg, superiores àquela de que necessitamos. Alguns estudos mostram que o excesso da vitamina C pode causar diarréia e favorecer a formação de cálculos renais. Como não se tem dados comprovando sua eficácia, não há justificativa para o uso de suplementos a não ser que seu médico ou nutricionista esteja acompanhando o caso. Evite tomar suplementos alimentares sem o consentimento desses profissionais.

A Vitamina D tem como principal função a absorção do cálcio, sendo essencial na formação da estrutura óssea.

Onde encontramos a Vitamina D?

Podemos encontrá-la em gema de ovo, fígado, leite integral, manteiga, creme de leite e ainda nas margarinas.

O sol é uma outra ótima fonte de vitamina D, porque ele converte em forma ativa (possível de ser utilizada pelo organismo) a vitamina D que fica na pele.

DICA: é importante tomarmos sol diariamente, por pelo menos 20 minutos, pela manhã até as 10:00 horas ou à tarde depois das 16:00. Desta forma, contribuiremos muito para o fortalecimento ósseo e para a prevenção da osteoporose. Nestes horários, encontramos menor quantidade de raios solares prejudiciais ao organismo.

A Vitamina E tem função antioxidante e a sua carência causa efeitos negativos na formação de músculos, vasos sanguíneos e sistema cardiovasculares.

Onde encontramos a Vitamina E?

Encontramos esta vitamina em óleos vegetais (soja, girassol, milho, azeite de oliva), gema de ovo, fígado, leite, frutas oleaginosas (avelã, castanhas, nozes amendoim).

A Vitamina K tem a função de regular a coagulação sangüínea e sua carência provoca hemorragias.

Onde encontramos a Vitamina K?

Podemos encontrá-la no fígado e em hortaliças (verduras e legumes), além de haver produção pela flora intestinal (bactérias).

As Vitaminas do complexo B são tiamina (B1), riboflavina (B2), piridoxina (B6), cobalamina (B12), niacina, biotina, ácido pantotênico, ácido fólico. São hidrossolúveis (solúveis em água) e têm funções variadas, como a prevenção de doenças relacionadas com o sistema nervoso e o sistema muscular, formação de glóbulos vermelhos, metabolismo de gorduras, carboidratos e proteínas, conservação de tecidos e olhos, além de outras funções.

Onde encontramos as Vitaminas do complexo B?

Encontramos estas vitaminas em alimentos de origem animal (carnes brancas ou vermelhas, vísceras, leites, queijos, ovos), cereais integrais, leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, ervilha seca) e hortaliças (verduras e legumes).

 A piridoxina tem alguma relação com a doença de Parkinson?

Sim. A PIRIDOXINA (B6) participa também da conversão da levodopa em dopamina antes que ela chegue ao cérebro. A absorção da dopamina é eficaz apenas no cérebro. Se ocorrer esta conversão de levodopa em dopamina antes de chegar ao cérebro, esta dopamina vai se perder toda e aí não teremos o efeito desejado do medicamento.

A levodopa deve ser convertida adequadamente em dopamina para haver efeito terapêutico. Por isso, quando utilizamos levodopa, não devemos tomar suplementos de vitamina B6 (piridoxina).

SE EU ESTIVER TOMANDO ALGUM MEDICAMENTO À BASE DE BENZERAZIDA OU CARBIDOPA, POSSO TOMAR SUPLEMENTOS DE PIRIDOXINA (VITAMINA B6)?

Existem alguns medicamentos que contêm substâncias (benzerazida e carbidopa) que são inibidoras da dopaminase (enzima que converte a levodopa em dopamina, juntamente com a piridoxina). Neste caso, não há conversão fora do cérebro e o medicamento tem o efeito desejado. A vitamina B6 (piridoxina), portanto, não interfere no tratamento. O Madopar e o Sinemet são drogas à base de levodopa que já vêm com inibidores da dopaminase, não sendo contra-indicada a suplementação da vitamina B6.

Obs.: Lembre-se de que qualquer suplemento vitamínico ou mineral deve ser tomado apenas com indicação do médico ou nutricionista.

Minerais

O FÓSFORO, assim como o cálcio, participa do fortalecimento da massa óssea e dos dentes.

Onde encontrar o Fósforo?

Podemos encontrá-lo nos leites, queijos e iogurtes, na gema de ovo e em carnes, castanhas e amendoim.

O MAGNÉSIO é essencial para a formação de proteínas. Sua carência pode provocar distúrbios neuromusculares e problemas de crescimento.

Onde encontrar o Magnésio?

Pode ser encontrada em cereais integrais, castanha, carnes, leites, verduras, legumes, chocolate, tofu (queijo feito à base de soja).

O POTÁSSIO é responsável pela regulação do equilíbrio de minerais e água.

Onde encontrar o Potássio?

Os alimentos ricos em potássio são as frutas (laranja, banana, mexerica e outras), verduras e legumes, leite, cereais e carnes.

Obs.: As pessoas hipertensas que usam diuréticos continuamente, têm perdas significativas de potássio pela urina. Portanto, devem estar atentas aos alimentos ricos neste mineral para repor esta perda adequadamente.

O SÓDIO também regula o equilíbrio de minerais e água e sua carência pode provodcar cãibras e fraqueza muscular.

Onde encontrar o Sódio?

Podemos encontrá-lo no sal de cozinha (usar moderadamente), em peixes e frutos do mar e no leite.

O ZINCO regula a formação de proteínas e sua carência causa distúrbio do crescimento..

Onde encontrar o Zinco?

Podemos encontra-lo em leite, queijos, carnes, fígado, moluscos, caranguejo, arenque, leguminosas, vagens, cereais integrais e nozes.

AS FIBRAS

E as fibras alimentares?

QUAL A QUANTIDADE DE ALIMENTOS RICOS EM FIBRA QUE DEVEMOS INGERIR DIARIAMENTE?

É recomendável a ingestão de 25 a 30 g de fibras alimentares por dia.

Quantidade de fibras em alguns alimentos

Alimento

Quantidade

Fibras

Cereal "All Bran"

1 xícara de chá (30 g)

9,0

Lentilha cozida

1 xícara de chá (150 g)

7,3

Feijão cozido

2 conchas (90 g)

7,2

Farelo de trigo

2 colheres de sopa (15 g)

6,8

Grão de bico cozido

2 colheres de sopa (120 g)

6,7

Ameixa preta (seca)

3 unid grandes (30 g)

4,8

Pipoca

3 xícaras de chá (30 g)

4,6

Maçã com casca

1 unid média (150 g)

4,6

Pêra com casca

1 unid média (140 g)

4,2

Castanha de caju

1 pacote pequeno (70 g)

4,1

Batata doce cozida

1 unid média (120 g)

3,1

Aveia com flocos

2 colheres de sopa (30 g)

3,0

Uva passa preta

1 pacote pequeno (50 g)

2,9

Abacaxi

2 rodelas (150 g)

2,8

Cenoura crua

1 unid média (100 g)

2,8

Manga

1 unid média (60 g)

2,7

Milho verde enlatado

1 xícara de chá (60 g)

2,7

Abobrinha cozida

1 xícara de chá (134 g)

2,4

Escarola cozida

1 xícara de chá (153 g)

2,2

Laranja

1 unid média (100 g)

2,2

Tomate cru

1 unid média (100 g)

1,9

Maçarrão cozido

2 xícaras de chá (220 g)

1,8

Arroz integral cozido

5 colheres de sopa (165 g)

1,4

Pão francês

1 unidade (50 g)

1,4

Morango fresco

5 unidades médias (60 g)

1,3

Beterraba cozida

1 unid média (100 g)

1,0

Banana nanica

1 unid grande (140 g)

0,8

Arroz branco cozido

1 colher de sopa (150 g)

0,7

Fonte: PHILLIPI, S.T. SZARFARC, S. LATERZA, A.R. Virtual Nutri (software) versão 1.0, for windows. Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública/USP. São Paulo, 1996

 O intestino preso é freqüente na doença de Parkinson?

O intestino preso é uma das queixas mais freqüentes. Esta freqüência aumenta com a idade e é comum entre os parkinsonianos, atingindo mais de 50% deles.

Na doença de Parkinson, permanecer com o intestino constantemente preso pode atrapalhar o tratamento com a levodopa, já que dificulta sua absorção. Além disso, quando o intestino está preso por muito tempo, há uma reprodução aumentada de bactérias. Estas bactérias transformam a levodopa em dopamina, que não consegue penetrar no cérebro e ter o efeito terapêutico desejado. (Vocês lembram que apenas a levodopa consegue penetrar no cérebro e dopamina não?). Sabemos do impacto da constipação sobre nosso bem-estar geral. Afinal, a sensação de peso e a formação de gases intestinais pelas bactérias devido ao grande tempo de permanência das fezes no intestino não são nada agradáveis e contribuem para estados de humor alterados (irritação, nervosismo, etc.)

QUAIS OS FATORES QUE PODEM CAUSAR A PRISÃO DE VENTRE?

ATENÇÃO !!! O uso de certos medicamentos pode causar constipação, porém muitas vezes não podemos parar de toma-los ou não há como substituí-los por outros. É importante que o médico seja informado com detalhes sobre outros medicamentos usados além daqueles indicados para a doença de Parkinson. Assim, ele poderá fazer uma prescrição adequada de laxativos, se for realmente necessário.

O que os laxativos podem causar ao organismo?

O uso indiscriminado de laxativos pode reduzir a absorção de nutrientes, aumentando a perda destes pelas fezes. O óleo mineral pode reduzir a absorção de vitaminas lipossolúveis (solúveis em óleos e gorduras): vitaminas A, D, E e K. O uso crônico destes medicamentos pode causar irritação e grande disfunção da motilidade intestinal, ou seja, a evacuação passa a ser impossível se não houver a presença do laxativo, instalando-se, desta forma, o vício.

DROGAS POTENCIALMENTE CONSTIPANTES

Como estimular o funcionamento do intestino?

Dicas:

Se o intestino estiver preso

Obs.: Dependendo do caso, dificuldades em mastigar e engolir podem fazer com que frutas e hortaliças não sejam bem tolerados. Entretanto, suco de ameixa, laranja ou mamão e farelo de trigo em quantidade moderada (se bem tolerado, já que pode causar gases em algumas pessoas e diminuir a absorção de algumas vitaminas e minerais) podem ser incorporados na dieta, por serem laxativos naturais.

E quando ocorre excesso de gases intestinais?

Se houver formação de gases intestinais, observe estes alimentos: repolho, nabo, rabanete, cebola, brócolis, melão, melancia, queijos gordos (amarelados e/ou curados) ou outros. Procure não ingeri-los ao mesmo tempo, para identificação de qual pode ser o causador dos gases.

O farelo de trigo pode ser usado apenas moderadamente, já que pode causar gases intestinais e diminuir a absorção de algumas vitaminas e minerais.

Obs.: Ao comer, beber líquidos ou falar depressa, podemos engolir ar e contribuir para o acúmulo de gases no aparelho digestivo. Portanto, CALMA!!!!!!!!

Grupo de cereais

Este grupo tem como principal função o fornecimento de energia ao nosso organismo. Ele engloba alimentos ricos em carboidrato, que é um nutriente. Aqui estão arroz, milho, centeio, trigo, aveia, farinhas e todos os seus produtos (pães, bolachas, bolos, polenta, angu, tortas, farofa e outros).

DICA: O parkinsoniano tem tendência a perder peso. O grupo de cereais, juntamente com as carnes e os laticínios, contribui para a recuperação do peso.

Gorduras

As gorduras têm função de isolantes térmicos, formação de hormônios, transporte de vitaminas lipossolúveis (dissolvidas em gorduras) e de fornecer energia para o funcionamento do organismo, assim como o carboidrato. Elas devem ser usadas em pequenas quantidades na alimentação pois em excesso podem favorecer a ocorrência de obesidade e elevar os níveis de colesterol sangüíneo, que é risco para doenças cardiovasculares.

ONDE ENCONTRAMOS AS GORDURAS?

As gorduras podem ser de origem animal (creme de leite, manteiga, banha, bacon) ou vegetal (óleos de soja, de canola, de milho, de girassol, azeite, margarina). Também estão presentes nas frutas oleaginosas (nozes, amêndoas, amendoim, castanhas).

As gorduras vegetais não contêm colesterol.

Apenas as gorduras animais possuem colesterol. Assim, o ovo, as carnes, os leite integrais e queijos, as vísceras, a maionese (feita com ovo) e os embutidos também possuem uma quantidade significativa de colesterol e não devem ser ingeridos abusivamente.

Devem-se preferir as gorduras vegetais, porque não contêm colesterol e possuem maior quantidade de gorduras insaturadas que saturadas. Estas últimas constituem risco para doença cardiovascular.

O QUE SÃO GORDURAS SATURADAS?

As gorduras saturadas são gorduras de consistência sólida à temperatura ambiente e são encontradas em todos os alimentos de origem animal (carnes, leite integral, queijo, creme de leite, bacon, manteiga) e em alguns alimentos de origem vegetal como o coco (leite de coco, gordura de coco), azeite de dendê, gordura vegetal hidrogenada e óleos usados repetidamente para frituras. Podem propiciar risco de doenças cardiovasculares, assim como o colesterol.

Qual quantidade de colesterol podemos ingerir diariamente?

A quantidade de colesterol que podemos ingerir diariamente é de 300 mg, se não tiver nenhum problema de colesterol elevado.

Confira sua ingestão:

Alimento

Quantidade

Colesterol (mg)

Leite desnatado

1 xícara de chá (200 ml)

6*

Leite integral

1 xícara de chá (200 ml)

22*

Manteiga

1 colher de sopa rasa (19 g)

47,5*

Margarina

1 colher de sopa rasa (17 g)

11*

Maionese

1 colher de sopa rasa (17 g)

8,5**

Ostras

90 g

61**

Pescada

90g, (fatia média)

58,5**

Carne de porco

90 g

99,9**

Carnes

90 g, (fatia média)

63*

Camarão

90 g, ( 3 unidades médias )

112,5*

Miúdos de frango

90 g

354**

Ovo (gema)

1 gema, 1 ovo (20 g)

300*

Fígado

90 g, (fatia média)

270*

Queijo minas

Fatia média (30 g)

23**

Queijo prato

Fatia média (30 g)

31**

Mussarela

Fatia média (30 g)

23**

Requeijão cremoso

1 colher de sopa (15 g)

2,25*

Ricota

Fatia média (35 g)

18**

Fonte: (*) WILLIAMS, S. R. Fundamentos de nutrição e dietoterapia. 6ª ed. Artes Médicas. Porto Alegre, 1997. (**) UNITED STATES OF AMÉRICA. Departament of agriculture. Human Nutrition Information Service: Composition of foods, Raw, processed, prepared. Agriculture Handbook nº 1-16. Revised 1976-1986.

O que posso fazer para reduzir o colesterol?

    1. Fazer alguma atividade física.
    2. Diminuir o consumo de frituras, preferindo os alimentos cozidos.
    3. Aumentar o consumo de frutas, hortaliças e cereais como aveia, "All Bran".
    4. Fazer uso de produtos com baixo teor de gorduras:

5. Evitar os seguintes alimentos:

A perda de peso na doença de Parkinson

Com o aumento da idade, a quantidade de energia que necessitamos vai diminuindo. Há diminuição de músculos, aumento na gordura corporal e lentidão no funcionamento dos órgãos, que faz com que tenhamos de comer menos. Isto se dá no envelhecimento normal. Na doença de Parkinson pode ser diferente. O parkinsoniano tem facilidade maior para perder peso. Esta situação deve ser observada com muito cuidado. O organismo do parkinsoniano gasta mais energia devido aos movimentos involuntários anormais e à rigidez muscular. Além disso, podemos ter outros fatores, já citados, influenciando nesta perda de peso, como depressão ou outros distúrbios de comportamento (falta de vontade e motivação para se alimentar), problemas de dentição, mastigação e deglutição; uso de medicamentos, interferindo na absorção intestinal de nutrientes; efeitos colaterais da medicação (náuseas e vômitos), interferindo no apetite.

O QUE DEVEMOS FAZER SE HOUVER PERDA DE PESO?

Ocorrendo perda de peso, deve-se ingerir mais alimentos que possam manter o peso normal, evitando a perda acelerada. Podemos aumentar o consumo de alimentos ricos em carboidratos, por serem energéticos:

DICA: Procure o nutricionista e informe o seu médico. Esta pode ser uma situação de risco para desnutrição, infecções e outros problemas de saúde.

ATENÇÃO FAMILIARES E CUIDADORES!!

Os familiares ou cuidadores devem encorajar o parkinsoniano a se alimentar. Porém, se o peso corporal estiver muito acima do normal, é necessário cautela e dieta para que ele não aumente ainda mais. O Excesso de peso pode dificultar a movimentação e o trabalho do cuidador.

 Secura da boca e/ou hipersalivação

O uso de vários medicamentos e as próprias alterações fisiológicas do envelhecimento podem provocar secura na boca ou hipersalivação. Na doença de Parkinson, a perda automática do controle dos movimentos da face e o enrijecimento podem ocasionar perda de saliva pela boca, por dificuldade em engoli-la.

O QUE DEVEMOS FAZER PARA DIMINUIR A SECURA NA BOCA?

No caso de secura intensa da boca, podemos intervir como segue:

 A rigidez da face, dificuldades de mastigação e deglutição

Na doença de Parkinson, encontramos algumas alterações motoras que podem dificultar a alimentação adequada. O enrijecimento da face dificulta a mastigação e a deglutição apresenta-se deficiente, provocando engasgos com freqüência. A passagem do alimento do esôfago até o estômago fica mais demorada.

COMO AMENIZAR AS DIFICULDADES?

No caso de secura intensa da boca, podemos intervir como segue:

 Dificuldades motoras com a mão e os braços;

problemas posturais

A rigidez das mãos e dos braços faz com que as dificuldades em cortar os alimentos, segurar os talheres e conduzi-los até a boca e de volta ao prato diminua a vontade e a capacidade de se alimentar sozinho.

A rigidez muscular contribui para a existência de problemas de postura. Como os controles da cabeça e do tronco são essenciais para se alimentar, os problemas posturais contribuem para aumentar os problemas alimentares.

O POSICIONAMENTO PARA SE ALIMENTAR PODE SER MELHORADO:

No caso de secura intensa da boca, podemos intervir como segue:

    1. Talheres de cabo grosso
    2. Copos grandes, de plástico e com alças

 

Obs.: Exercícios físicos podem ajuda-lo a melhorar a musculatura e, conseqüentemente, seus movimentos. Caminhadas, jardinagem, fisioterapia e/ou outros orientados pelo fisioterapeuta podem ajuda-lo a realizar com mais facilidade as atividades diárias, como cozinhar, comer, carregar sacolas, vestir-se.

Observações especiais:

Alguns parkinsonianos podem apresentar confusão mental (efeito de drogas anticolinérgicas, como Artane, Akineton) em certa fase da doença. Desta forma, podem esquecer se já comeram ou não. Esta situação pode ser difícil tanto para o parkinsoniano como para o cuidador. Existem algumas maneiras de tornar um pouco mais fácil o controle da rotina alimentar. O cuidador deve ajudar o parkinsoniano da seguinte forma:

Náuseas, queimação no estômago e vômitos

A ocorrência destes sintomas depende da medicação usada e da maneira de tomá-la. Os medicamentos à base de levodopa (Sinemet, Prolopa, Cronomet, Carbidopa/Levodopa Genérico), anticolinérgicos (Triexidyl, Akineton, Mantidan entre outros), agonistas dopanimérgicos (Parlodel, Celance, Mirapex, Sifrol entre outros), e ainda o tolcapone, princípio ativo do Tasmar (inibidores da enzima COMT = catecol-o-metil-transferase, que provoca flutuações no tratamento) são os principais causadores. A associação de vários medicamentos ao mesmo tempo aumenta o risco de distúrbios gastrointestinais.

Portanto, devemos seguir os seguintes passos:

 

Exemplo de cardápio

Refeição

Alimentos

Substituições

Café da manhã

Leite

Pão francês

Queijo

Mamão

Queijo, iogurte

Torrada, aveia

Margarina

Laranja, banana, maçã

Lanche da manhã

Maçã

Pêra, kiwi, abacaxi

Almoço

Arroz

Feijão

Bife grelhado

Cenoura cozida

Alface

Laranja

Batata, massa, polenta

Lentilha, ervilha seca

Frango, peixe

Chuchu, beterraba, jiló

Agrião, rúcula

Melancia, melão, uva

Jantar

Arroz

Feijão

Frango

Abobrinha

Tomate

Mexerica

Pão

Peito de peru

Alface

Tomate

Caqui

Lanche noturno

Leite

Iogurte, queijo

ATENÇÃO !!!!!!!!!

 Após terem lido este manual, esperamos que vocês parkinsonianos, amigos, familiares e cuidadores possam realizar mudanças importantes no seu estilo de vida e alimentação, a fim de melhor controlar as intercorrências da doença.

Vimos aqui abordagens diversas sobre os problemas alimentares que ocorrem durante o curso da doença. Podemos encontrar pessoas com todos eles ou com parte deles. Conforme o grau de dependência do parkinsoniano, dos cuidados anteriores com a qualidade da alimentação e da aceitação das trocas sugeridas e necessárias, mudaremos antigos hábitos, de forma particular. Cada indivíduo tem hábitos alimentares que podem divergir, e muito, daqueles do seu colega. Percebemos isto nos sintomas e manifestações da doença, assim como nos efeitos colaterais dos medicamentos, nas respostas ao tratamento e na evolução da doença. Não existe "solução única", já que sabemos da complexidade da Doença de Parkinson. Há necessidade de cuidados especiais, já que estamos diante de uma situação especial, decorrente de alterações que podem agravar-se se não confiarmos nas mudanças possíveis.

 

As autoras

Bibliografia

    1. PEREIRA FAI, CERVATO AC. Recomendações nutricionais. In: PAPALÉO NETTO M, editor. Gerontologia. São Paulo: Atheneu; 1996.p.248-61.
    2. HATCHER LF, EINEN DG. La Corretta Alimentazione nel Morbo di Parkinson. Associazione Italiana Parkinsoniani (The American Parkinson Disease Association c.);1993.
    3. NORBERG A, ATHLIN E, WINBLAD B A Model for the Assessment of Eating Problems in Patients with Parkinson´s Disease. Journal of Advanced Nursing 1987; 12: 473-81.
    4. LIMONGI JCP. Doença de Parkinson: como diagnosticar e tratar. Rev. Bras. Med 1993; 50 (9)1078-84.
    5. Boletim Associação Brasil Parkinson, n.16, 1998 (Problemas do Trânsito Intestinal e Doença de Parkinson), P.06, (Matéria de autoria do Dr. Vitaux, publicada no Boletim n. 53 da Association France Parkinson, tradução da Prof. Teresa de Freitas Limongi)
    6. COITINHO DC et al. Condições Nutricionais da População Brasileira: Adultos e Idoso. INAM (Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição). Brasília, 1991.
    7. JUNCOS JL er al. Levodopa methyl ester treatment of Parkinson´s disease. Neurology 1987; 37: 1242-45.
    8. MARUCCI MFN e GOMES MMBC. Interação Droga-Nutriente em Idosos. In: PAPALÉO NETTO M, editor. Gerontologia. São Paulo (SP): Atheneu; 1996. p.273-83.
    9. CERVATO AM et al. A Alimentação na Terceira Idade. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública (USP); 1997.

 

Extraído na íntegra do livro:

A Alimentação na Doença de Parkinson

Autores:

Estefânia Maria Soares Pereira, Cláudia Carvalheira Farhud e Maria de Fátima Nunes Marucci

Apoio Laboratório Boehringer Ingelheim